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26/11/2015

Microcefalia: entenda o que é e suas possíveis causas

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Casos da doença que gera atrasos no desenvolvimento intelectual e cognitivo podem ser causados por zika vírus

O Ministério da Saúde declarou, na última semana, situação de alerta por conta do aumento de casos de microcefalia que estão ocorrendo especialmente na região nordeste do Brasil. Os dados do último boletim epidemiológico divulgado apontam 739 casos suspeitos em 2015 nos Estados de Pernambuco, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará e Goiás, sendo que dentro deste número, 487 bebês são de Pernambuco.

A microcefalia é uma condição em que o tamanho do crânio é menor do que o tamanho mínimo padrão para a idade do feto ou da criança. “O tamanho reduzido da cabeça decorre de um atraso do desenvolvimento cerebral e, por conseguinte, da caixa craniana, estando altamente associada com o atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência intelectual”, explica o neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, dr. Gabriel Variane. Os sintomas mais frequentes relacionados à microcefalia são dificuldades para amamentação e alimentação, espasticidade (distúrbio de controle muscular), crises convulsivas e deficiência intelectual e cognitiva.

Ainda de acordo com o dr. Gabriel, a microcefalia pode ocorrer devido a síndromes genéticas, exposição materna a substâncias tóxicas, consumo de drogas, alcoolismo materno ou infecções congênitas, como citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola e varicela. “Não há tratamento que seja capaz de reverter a condição. O manejo destes pacientes baseia-se na busca por minimizar as deformidades e, por meio de estimulação neurológica precoce, maximizar o desenvolvimento das capacidades da criança e sua interação com a comunidade”, esclarece.

A informação do Ministério da Saúde é que a principal hipótese para a causa deste surto de microcefalia seja a contaminação por zika vírus. Este vírus veio da África e é recente no Brasil, sendo identificado pela primeira vez em abril deste ano. “Ainda não há registro na literatura médica que comprove a ligação do zika com a microcefalia, porém há uma relação temporal entre os casos e a circulação de alguns vírus, como o da dengue, da chikungunya e do zika. Além disso, já se sabe que o zika vírus tem forte afinidade com o sistema nervoso central, inclusive em alguns casos de microcefalia aqui no Brasil foram confirmadas a presença dele”, comenta dra. Rosana Richtmann, infectologista e presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Da mesma família do vírus da dengue, o zika também é transmitido por meio do mosquito Aedes aegypti, que costuma se desenvolver em áreas tropicais e subtropicais. Os principais sintomas são febre, dor no corpo e erupções cutâneas. Assim sendo, sobretudo as gestantes devem ficar alertas ao sentirem esses indícios e logo procurarem serviço médico.

Também é importante ficarem atentas a possíveis focos de reprodução do mosquito que depositam seus ovos em água parada. “Ainda não há tratamento ou vacina, então o mais indicado é a prevenção. Eliminar possíveis focos de reprodução do mosquito ajudam no combate ao vírus”, afirma dra. Rosana.

Compreenda melhor a microcefalia:

A microcefalia ocorre pelo não crescimento do tecido cerebral, sendo agravada nos quadros infecciosos por uma destruição do parênquima cerebral (tecido que forma a função principal do órgão) associada à presença de calcificações periventriculares (enrijecimento do tecido). “O mais preocupante é quando essas alterações morfológicas ocorrem no primeiro trimestre gestacional, que é quando a estrutura básica cerebral está sendo formada. Ainda não podemos prever quais serão os distúrbios neurológicos que essa microcefalia irá acarretar, mas, levando-se em consideração o grau de atrofia cerebral verificado e a presença de calcificações grosseiras intracranianas, é de se esperar que esses recém-nascidos venham a apresentar sequelas neurológicas severas. Por isso, há um alerta de prevenção ao provável causador da doença, o zika vírus, principalmente nos três primeiros meses de gravidez”, enfatiza o dr. Sérgio Cavalheiro, neurocirurgião pediátrico do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Conforme dr. Sérgio, o bebê diagnosticado com microcefalia pode apresentar crises convulsivas, necessitando de medicamento anticonvulsivante, e atraso severo do desenvolvimento neuropsicomotor, que compromete inúmeras funções, como a visão, a fala e a locomoção. “Não há ainda tratamento que leve à cura ou que evite a contaminação do feto após infecção da mãe. A destruição do tecido cerebral é irreversível. O que existe são tratamentos de suporte. Então, desde recém-nascidos, essas crianças deverão ter acompanhamento de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e hidroterapia, além do pediatra”, explica dr. Sérgio.


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