Um ano depois da cirurgia pioneira do menino Nilton Valentino, o primeiro paciente do Estado a receber o implante de um chip no ouvido interno esquerdo, em abril de 2007, a equipe médica do Programa de Implante Coclear do Hospital Santa Joana promove um debate comemorativo em torno do assunto. Estarão reunidos, na ocasião, os seis pacientes operados e suas famílias, além de psicólogos, pediatras, fonoaudiólogos e outros especialistas. O evento será realizado no Hotel Manibu, em Boa Viagem, no próximo sábado (26), às 19h.
A primeira cirurgia de implante de ouvido biônico de Pernambuco foi realizada no Hospital Santa Joana, único do Estado a dispor de um Programa de Implante Coclear com uma equipe multidisciplinar formada exclusivamente para esse fim. “O Santa Joana apostou no projeto do Programa de Implante e investiu muito nisso. O custo dos procedimentos é altíssimo porque o chip, implantado no ouvido, é muito caro. Além disso, o Hospital possui o melhor microscópio do mundo para este tipo de cirurgia”, declara a fonoaudióloga Cristiane Zilbermintz, que vem acompanhando os procedimentos de implante realizados no Hospital desde o primeiro caso.
As cinco pacientes que se submeteram ao implante, depois do menino Nilton Valentino, já estão com os aparelhos ligados e recuperaram a audição. Um exemplo é a menina Taíse Colman, de 10 anos, portadora de surdez congênita, que sempre usou prótese e conseguia pronunciar apenas poucas palavras. Após a cirurgia, ela desenvolveu a linguagem. Também já recuperou a audição Vera Lúcia Botelho, que foi operada, no dia quatro de setembro último, aos 53 anos, depois de ter perdido gradualmente a audição a partir dos 30. Vera, que parou de trabalhar por conta da surdez, já voltou a escutar normalmente.
Em seguida, foi a vez de Larissa dos Santos, de 4 anos, que foi operada no dia 29 de outubro. Iasmim Canhas, de 5 e Maria Júlia Souza, de 6, receberam o implante no dia 27 de novembro e tiveram os respectivos aparelhos ligados no mês de dezembro, quando completaram um mês de operadas. Ambas também recuperaram a audição e vem desen-volvendo a fala progressivamente.
A equipe do Programa de Implante Coclear é formada por fonoaudiólogas, reabilitadores, otorrinolaringologistas e psicólogas, que acompanham os pacientes antes, durante e depois das cirurgias. Integram o grupo os médicos Rodolpho Penna Lima e Francisco de Biase, as fonoaudiólogas Cristiane Zilbermintz, Fabiana Dias, Dionélia Rivas e a psicóloga Manuela Regina.
O Chip
Conhecido como implante coclear, o dispositivo é introduzido pelos médicos no ouvido interno do paciente. O aparelho é ativado 30 dias após o implante, quando o paciente começa a ouvir e a aprender a falar. A cirurgia dura cerca de 3 horas e é realizada com anestesia geral. O paciente recebe alta, em média, três dias após.
Estima-se que, só em Pernambuco, cerca de 15 mil pessoas sofram de surdez profunda. Contudo, nem todos estão aptos a receber o implante. Para isso, é necessário que o paciente seja avaliado por uma equipe multidisciplinar.
Mas a barreira para o uso da nova tecnologia não está só nas condições físicas do paciente. O custo do equipamento é de cerca de R$ 60 mil. O Sistema Único de Saúde – SUS custeia o implante apenas para crianças surdas de nascença até 4 anos ou pessoas com surdez adquirida em qualquer idade.
O Implante coclear é um dispositivo eletrônico inserido na cóclea (orelha interna) que transmite informação sonora a indivíduos com perda auditiva profunda bilateral. O dispositivo exerce sua função através da estimulação elétrica direta das fibras do nervo auditivo, por eletrodos, em pacientes, que possuem o ouvido interno está danificado.
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