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Assunto foi debatido pelo cardiologista Dr. Carlos Antônio da Mota Silveira no primeiro dia do Simpósio Científico Nacional

As doenças isquêmicas (causadas por obstrução das artérias) são a principal causa de morte no mundo. Cinco milhões de pessoas, ao ano, apresentam dor torácica. O sintoma, geralmente descrito pelos pacientes como um desconforto no peito, pode ou não ser um indicador de Infarto. Por isso é importante estar atento ao grupo de fatores de risco da doença, que tem atingido cada vez mais jovens e, hoje, admite novas causas, além das já conhecidas obesidade, estresse, tabagismo entre outros. A cocaína, por exemplo, é um dos fatores que, recentemente, tem se apresentado como causa freqüente da doença. O assunto foi abordado no último dia 29 de novembro, no IV Simpósio Científico Nacional, promovido pelo Hospital Santa Joana, que reuniu especialistas médicos de vários Estados no JCPM Trade Center.

De acordo com o cardiologista Carlos Antônio da Mota Silveira, que ministrou conferência sobre o assunto, o número de atendimentos de casos de infarto agudo do miocárdio causados pelo uso de cocaína tem aumentado nas emergências. “O risco para os usuários é diretamente proporcional ao tempo e intensidade do uso, o que não quer dizer que a pessoa que usou uma única vez não possa sofrer um ataque. A droga propicia a proliferação da arterioesclerose e do espasmo coronário”, explica. Ele adverte, então, que a pessoa que utiliza a droga, e sente o desconforto no peito, deve suspeitar de isquemia e procurar atendimento de imediato.

No Brasil, ainda não existem estatísticas sobre o fenômeno. Mas o crescente aumento do número de eventos cardíacos antes dos 40 anos, período da vida em que esse tipo de ocorrência – excluídos fatores convencionais, hereditários e traumas – é rara, tem sinalizado essa nova realidade. Nos EUA, 25% das anginas (dor no peito que dura menos de 20 minutos) em jovens estão associadas ao uso da cocaína. Desses, 6% infartam. Na falta de números nacionais sobre infarto juvenis, as estatísticas sobre consumo de cocaína entre jovens são sempre citadas pelos médicos para legitimar a preocupação: 2% dos estudantes de dez capitais brasileiras já usaram cocaína pelo menos uma vez na vida, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid).

Diante do quadro cada vez mais amplo de causas e fatores de risco de Infarto, Dr. Carlos Antônio da Mota Silveira alerta, no entanto, para o fato de que nem toda dor no peito significa uma isquemia e pode ser causada, entre outros fatores, por embolia pulmonar, refluxo esofágico, se caracterizar por dor esquelética ou por uma reação psicogênica (dor difusa e prolongada de causa emocional). “O refluxo esofágico, por exemplo, caracterizado por uma queimação subesternal pode se irradiar pelo pescoço, sendo confundido com uma isquemia”, avisa Dr. Carlos Antônio da Mota Silveira.

Por tudo isso, o indicado, segundo o médico, é, ao sentir a dor no peito, procurar de imediato uma emergência. “Os casos flagrados em até três horas tem chances de serem revertidos completamente. Passou de 12 horas fica bem mais difícil”, explica Dr. Carlos Antônio. Também é importante repetir o eletrocardiograma três vezes, porque o primeiro pode não apresentar nenhuma alteração mesmo quando a pessoas já está em processo de infarto. Estatísticas demonstram que ocorrem Infartos em 5% dos pacientes que apresentam o primeiro exame normal.

 
   
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