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A menina Taíse Colman, de 10 anos, recebeu o implante de um chip no ouvido interno esquerdo que vai possibilitar a recuperação da audição e, conseqüentemente, facilitar o desenvolvimento da fala. Conhecido como Implante Coclear, o dispositivo foi introduzido em cirurgia realizada pelos médicos Rodolpho Penna Lima e Francisco De Biase, no Hospital Santa Joana. O aparelho será ativado 30 dias após o implante, quando então a garota começará a ouvir e a aprender a falar. A cirurgia foi realizada no último dia 19 de maio e durou cerca de 3 horas, com anestesia geral. A paciente deverá ter alta nesta segunda-feira (21), pela manhã.

Portadora de surdez congênita, Taíse vinha sendo acompanhada pela fonoaudióloga, Cristiane Zilbermintz, desde os quatro anos de idade. “Ela sempre usou prótese, mas, com o tempo, a família percebeu que o aparelho não estava mais dando resultados. Sugerimos, então, a cirurgia e, agora, a menina, que consegue pronunciar apenas poucas palavras, deverá desenvolver a linguagem e interagir socialmente, inclusive, com os familiares”, explica Cristiane, que integra a equipe do Hospital Santa Joana.

Esta foi a segunda cirurgia de implante coclear realizada em Pernambuco. A primeira, também realizada no Hospital Santa Joana, foi a do menino Nilton Valentino Ferreira Filho, de 7 anos, vítima de surdez progressiva, que recebeu o ouvido biônico no dia 20 de abril.

Implante coclear é um dispositivo eletrônico inserido na cóclea (orelha interna) que transmite informação sonora a indivíduos com perda auditiva profunda bilateral. O dispositivo exerce sua função através da estimulação elétrica direta das fibras do nervo auditivo por eletrodos em pacientes onde o ouvido interno está danificado.

300 Mil Surdos
Estima-se que, no Brasil, cerca de 300 mil pessoas sofram de surdez profunda. Contudo, nem todos estão aptos a receber o implante. Para isso é necessário que o paciente seja avaliado por uma equipe multidisciplinar. No Recife, N.V.F.F. foi acompanhado pelas fonoaudiólogas Cristiane Zilbermintz, Fabiana Dias, Dionélia Rivas e a psicóloga Manuela Regina.

Mas as barreira para o uso da nova tecnologia não está só nas condições físicas do paciente. O custo só do equipamento é de cerca de R$ 60 mil. O Sistema Único de Saúde – SUS custeia o implante apenas para crianças surdas de nascença com até 4 anos, ou pessoas com surdez adquirida em qualquer idade.

Implante Coclear
O implante coclear é, atualmente, o único equipamento ligado ao sistema nervoso central com uso clínico bem-sucedido e regular. Tem o mérito de dar solução a uma das mais importantes incapacitações do ser humano que é a surdez profunda bilateral. O equipamento possui dois componentes: um interno, composto por um grupo de eletrodos e mais um aparelho receptor e um externo, composto de um microfone, processador de fala, um codificador e um transmissor.

O dispositivo converte som em sinais elétricos que são processados para produzir as melhores sensações auditivas possíveis. Esses sinais são enviados pelo transmissor externo, através da pele, até o receptor implantado. O eletrodo vai desde o receptor para dentro da cóclea, onde estimula diretamente o nervo auditivo com pulsos de corrente muito pequenos. Esses pulsos de corrente fazem com que o nervo auditivo produza impulsos elétricos próprios que são transmitidos ao cérebro e, lá, interpretados como sensação de ouvir. A comunicação entre os componentes externo e interno é realizada através de ondas de rádio FM transmitidas pela pele.


   
   
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