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Monitorização cerebral contínua com EEG de amplitude integrada em recém – nascidos de alto risco para injúria cerebral.

Monitorização cerebral contínua com EEG de amplitude integrada em recém – nascidos de alto risco para injúria cerebral.

Pesquisador responsável: Gabriel Variane
Pesquisadores: Filomena Bernardes de Mello
Helenilce de Paula Fiod Costa

Resumo do projeto:

Apesar dos avanços em cuidados perinatais, a incidência de dano ao neurodesenvolvimento em RN prematuros extremos e asfixiados graves com diagnóstico de EHI, ambos considerados de alto risco para injúria cerebral, permanece alta. Estudos epidemiológicos globais revelam incidência de 233 mil RN asfixiados e 345 mil RN prematuros por ano com comprometimento neurológico moderado/grave.

Estudos têm demonstrado a utilidade de diversos exames de imagem na detecção de lesão cerebral e determinação do prognóstico neurológico. 3-6 Anormalidades eletroencefalográficas agudas resultam em desorganização neuronal e se correlacionam com dano cognitivo. 7,8 No entanto, critérios de referência em relação ao padrão normal de maturação e ciclo sono e vigília são escassos e dificultam a interpretação de referidas anormalidades.

O aEEG é método não invasivo de monitorização cerebral contínua à beira do leito. Permite o entendimento do padrão eletroencefalográfico de base, reconhecimento de ciclos de sono e vigília sendo considerado um método para monitorização de função cerebral. O padrão eletroencefalográfico se correlaciona bem com o EEG convencional e resultados da literatura em RN termo asfixiados mostraram bom valor preditivo de prognóstico neurológico. 9-12 Outros estudos demonstraram que alterações eletroencefalográficas graves em RN de alto risco registradas nas primeiras 72 horas de vida estão relacionadas à pior neurodesenvolvimento futuro. 13,14 No entanto, ainda existem controvérsias sobre o valor preditivo para os achados relacionados ao aEEG e lesão neurológica precoce dentro do período neonatal.

Considerando as controvérsias sobre o assunto e a falta de incorporação do método dentro das UTI neonatais no Brasil, este estudo pretende avaliar a viabilidade de incorporação do método aEEG através da análise da qualidade do registro e segurança no uso da metodologia além de correlacionar seus achados eletroencefalográficos com morbi-mortalidade precoce em uma coorte retrospectiva de RN com alto risco para injúria cerebral.

Análise retrospectiva de prontuários de RN com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica com IG > 35 semanas e prematuros com IG < 30 semanas que foram admitidos em UTI neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana e Maternidade Pro Matre Paulista, que foram submetidos à monitorização cerebral com o uso de metodologia de eletroencefalograma de amplitude integrada (aEEG).

Local

Hospital e Maternidade Santa Joana.

Informações: 11 5080-6068.

Avaliação da transmissão de Staphylococcus aureus em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal com níveis endêmicos a despeito de vigilância ativa e descolonização.

Avaliação da transmissão de Staphylococcus aureus em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal com níveis endêmicos a despeito de vigilância ativa e descolonização.

Pesquisador: Dra. Camila de Almeida Silva
Informações: centrodeestudos@santajoana.com.br

Introdução

As infecções relacionadas à assistência a saúde (IRAS) continuam a ser uma causa importante de morbidade e mortalidade nas unidades de terapia intensiva neonatais (UTIN) em todo o mundo. As IRAS na população neonatal contribuem para desfechos de crescimento e neurodesenvolvimento desfavoráveis, principalmente em prematuros 1.

O Staphylococcus aureus resistente a meticilina (MRSA) é atualmente o segundo agente causador de IRAS nas UTIN. As espécies de S. aureus sensíveis e resistentes a oxacilina, podem causar uma variedade de infecções graves na população neonatal, levando a uma morbidade significativa, incluindo hospitalizações prolongadas, tratamentos agressivos e potenciais problemas longo prazo nos recém-nascidos (RN) infectados 2.

As cepas de MRSA exibem resistência à meticilina devido uma proteína ligadora de penicilina codicada pelo gene mecA, transportado por um elemento genético móvel chamado cassete cromossômico estafilocócico mec (SCCmec). Diversas formas de SCCmec surgiram por meio da transferência horizontal de mecA em eventos independentes e, até a presente data, foram identicadas onze formas principais 3.

Desde o primeiro relato, em 1994, de um clone de MRSA autóctone originário do Brasil 4, conhecido como clone Brasileiro, foram descritos outros clones circulantes na América Latina: os clones Cordobês/Chileno, Pediátrico (USA800), Nova Iorque/Japão (NYJ); USA400 e Clone Oceania Sudoeste do Pacifico (OSPC ou SWP). O clone Brasileiro (ST239-SCCmec tipo III) vem sendo isolado em todo Brasil. Foram identicadas diversas variantes genéticas; em conjunto, essas variantes são conhecidas como complexo clonal epidêmico brasileiro (BECC) 5.

Embora seja relativamente pequeno o número de estudos tratando da epidemiologia molecular dos clones de MRSA no Brasil, a caracterização desses clones é importante para que sejam formuladas estratégias terapêuticas locais e desenvolvimento de estratégias mais efetivas para o controle da propagação de MRSA.

Em torno de 30% da população é colonizada por S. aureus e os neonatos são expostos logo após o nascimento e podem se colonizar rapidamente após o contato com a pele do adulto ou seu ambiente. Os sítios mais comuns de colonização são o coto umbilical, a pele, a nasofaringe e o trato gastrointestinal 6,7 . Os RN podem ser colonizados por diferentes maneiras. Tradicionalmente a colonização ocorre através da transmissão horizontal pelas mãos dos profissionais de saúde ou com o ambiente hospitalar 8-9. Fatores adicionais, como superlotação e escassez de pessoal na UTIN, têm sido associados com maior risco de transmissão e colonização por MRSA, o que pode levar a ocorrência de surtos 10.

A transmissão vertical de MRSA das mães e pais para os recém-nascido também já foi descrita 11. Várias formas de transmissão foram relatadas, como a transmissão via vaginal durante o parto, e o desenvolvimento de sepse neonatal precoce de mãe com corioamnionite e através do aleitamento materno 12,13.

A prevalência de colonização de MRSA e taxas de infecção nas UTIN variam nas instituições devido a diversos fatores, incluindo diferenças nas políticas de controle de infecção hospitalar, na prevalência de MRSA nas comunidades locais e diferenças nas taxas de colonização de MRSA da população de cada pais. Apesar dessas variações, estudos relataram taxas de 0,6% - 8,4% dos RN na UTIN com colonização ou infecção por MRSA 14,15.

Estudos demonstraram vários fatores de riscos que predispõe a colonização do RN e posterior infecção por MRSA 6,13,14. Baixo peso ao nascimento e prematuridade estão associados com aumento do risco de colonização e/ou infecção em diversos estudos 16,17. A grande variedade de procedimentos e dispositivos invasivos necessários durante a permanência dos RN na UTIN estão associados com aumento do risco de MRSA, incluindo intubação endotraqueal e ventilação mecânica 17, presença de cateter venoso central 17 e procedimentos cirúrgicos 18. Métodos de alimentação, incluindo gavagem 16 e nutrição parenteral 17 também foram associados à maior risco de infecção por MRSA. Hospitalização prolongada 16 e prática do Método Canguru pelos pais 14 foram identificados como fatores de risco independentes para colonização por MRSA. A colonização neonatal por S. aureus é um precursor importante da infecção. Huang et al, demonstraram que RN colonizados tiveram uma maior taxa de infecção (26%) comparados ao não colonizados (2%) 15.

Apesar das medidas agressivas para prevenção das infecções por S. aureus nas UTIN, a incidência deste agente ainda permanece elevada nesta população13. Vigilância ativa e programas de descolonização foram introduzidos como complemento às estratégias básicas de controle de infecção, visando reduzir o risco individual e populacional associado à colonização de MRSA. A descolonização visa reduzir o risco de infecção no paciente colonizado, mas também pretende reduzir a probabilidade de contaminação das mãos dos profissionais de saúde e do meio ambiente reduzindo, assim, a transmissão cruzada para outros pacientes19. A redução do risco de infecção através da descolonização foi documentada em RN na UTIN, porém o impacto na transmissão não é tão claro, especialmente em cenários endêmicos de MRSA 20. A aquisição contínua de MRSA mesmo na presença de programas de descolonização tem sido relatada, levantando questões sobre a eficácia da descolonização em neutralizar o risco de transmissão dos pacientes reservatórios e prevenir a aquisição de MRSA na UTIN 21.

Uma melhor compreensão do impacto das estratégias de descolonização é fundamental para definir a eficácia desta rotina em um contexto de UTIN com um programa de controle de infecção bem estabelecido e com níveis endêmicos de S. aureus. O papel dos pais e dos profissionais de saúde também precisa ser claramente definido na dinâmica da colonização do neonato e intervenções de descolonização nesta população podem ser úteis em interromper a cadeia de transmissão.

Objetivo geral

Descrever o perfil de colonização e infecção por MRSA em RNs internados em UTIN e a prevalência de colonização por este agente nos profissionais de saúde e nos pais destes neonatos no período de um ano no Hospital e Maternidade Santa Joana.