O que é Prematuridade? Quais as Causas?

Apesar dos avanços na assistência obstétrica, a taxa de nascimento prematuro tem aumento nos últimos anos, representando hoje 10 a 15% do total de nascimentos.

Para explicar a Prematuridade e suas causas, convidamos o Prof. Dr. Antonio Fernandes Moron, Coordenador do Departamento de Medicina Fetal do Hospital e Maternidade Santa Joana.

“Estima-se que o trabalho de parto pré-termo espontâneo”, diz o médico, “com ou sem ruptura das membranas, seja responsável por dois terços dos partos pré-termo, sendo o restante em decorrência da antecipação do parto por indicações médicas ou obstétricas”.

Como seu organismo ainda não está pronto para o nascimento, bebês prematuros correm mais riscos, explica Dr. Moron. “A prematuridade continua sendo a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal nos países desenvolvidos, sendo responsável por 60 a 80% dos óbitos infantis de crianças sem anomalias congênitas. No momento, maior atenção tem sido dada ao parto pré-termo que ocorre antes de 32 semanas de gestação, que apesar de representar apenas 1 a 2% dos nascimentos, é responsável por cerca de 60% da mortalidade perinatal e quase 50% da morbidade tardia de causa neurológica”.

“Estas complicações são responsáveis por efeitos devastadores na vida familiar, em função das ansiedades e estresses, visitas constantes a hospitais e a profissionais da saúde, ou no isolamento social de outros casais com filhos considerados normais, somados à frustração e dor pelo sofrimento de crianças comprometidas por múltiplas deficiências”, avalia o especialista.

E o que provoca o nascimento prematuro de um bebê? “O mecanismo exato do trabalho de parto pré-termo é praticamente desconhecido, mas acredita-se que incluem hemorragia decidual, fatores mecânicos como hiperdistensão uterina (gestação múltipla e polidrâmnio), incompetência do colo do útero (congênita, decorrente de traumatismos ou cirúrgica), malformações uterinas, leiomioma do útero, inflamação do colo do útero (vaginose bacteriana, tricomoníase), infecção materna (particularmente do trato urinário), alterações hormonais, insuficiência placentária e abuso de drogas, tabagismo e álcool”.

Embora não seja possível prever o parto prematuro, existem fatores de risco, relacionados a características demográficas, comportamentais e antecedentes de parto prematuro, explica o médico. “Parto e nascimento prematuro pode estar associado a situações estressantes da vida como violência doméstica, insegurança alimentar e ambiente familiar inadequado”.

Outro fator de risco a ser considerado, que deve ser investigado cuidadosamente, é já ter tido um parto prematuro anteriormente. “O aconselhamento pré-concepcional pode ser útil para o planejamento de futuras gestações”, recomenda Dr. Moron.

“A estimativa de risco no primeiro exame pré-natal”, diz o especialista, “deve ser norteada pela elaboração de história obstétrica detalhada e secundada pela pesquisa de processos infecciosos e anomalias cervicais ou uterinas. O profissional deve estar atento a fatores sociais, tanto de natureza pessoal como familiar”.

O coordenador do Departamento de Medicina Fetal do Santa Joana lembra que a presença de fatores de risco na gestação por si só não indica que o parto ocorrerá prematuramente. “Nessas circunstâncias, a assistência pré-natal deve ser mais cuidadosa”.

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